CUIDADO COM A ONDA DO COMPUTADOR FÁCIL

Publicado: maio 25, 2011 em Uncategorized

O mercado de informática está se expandindo de uma forma sem precedentes. E os consumidores aproveitam esta onda para trocar o computador usado, comprar um segundo ou terceiro equipamento, ou então, adquirir o produto pela primeira vez.
Nunca esteve tão fácil entrar para o mundo da tecnologia. Se há alguns anos o computador básico custava em torno de R$ 3.000,00, o que era relativamente caro; hoje, o mesmo equipamento custa até três vezes menos e pode ser pago em suaves prestações.
O Adalberto técnico, do ramo de informática, aponta uma combinação de motivos para o aumento na venda de computadores: os incentivos fiscais para os programas de inclusão digital, a desvalorização do dólar (já que os componentes para montagem são importados) e a produção em larga escala.
Segundo ele, diante de tantas facilidades, só não tem computador quem não quer. E é, então, que o consumidor deve redobrar os cuidados na hora da compra, principalmente para quem não tem familiaridade com o assunto.

  Que cuidados as pessoas devem ter na hora de comprar um computador?

  Primeiramente, onde comprar. Têm muitas empresas que vendem gato por lebre. Isto é muito comum. São empresas orientadas somente para o preço. Mas além de vender produtos genéricos ou recondicionados, no caso de notebook, elas não cumprem com a garantia. Por isso, recomenda-se adquirir produtos de empresas especializadas no ramo e que tenham credibilidade. As estatísticas mostram que muitas empresas neste setor abrem e fecham a cada ano. E o consumidor precisa estar atento para não perder a garantia. É um ramo prostituído, até porque a importação é muito fácil. Se a pessoa quiser se aventurar e trabalhar com informática, ela compra de um distribuidor e vai vender.

Por que o consumidor nem sempre tem certeza se está comprando certo?

É realmente difícil porque as ofertas no mercado são grandes, são atrativas. Outro ponto que o consumidor deve estar muito atento é com os sites que oferecem preço muito abaixo do preço de mercado. Pode ser uma armadilha. Caso o consumidor queira adquirir o produto em sites, recomenda-se antes disso verificar a credibilidade e a confiabilidade desta empresa que oferece o produto virtualmente.

Como o consumidor pode se prevenir com relação a isso?

O principal ponto é a informação. Nunca adquira um produto somente pela atratividade do preço, pela propaganda, pela facilidade do pagamento. O consumidor quando vai comprar seu primeiro equipamento, deve buscar sempre referências com outras pessoas que já adquiriram o produto, que já têm alguma experiência. A gente sabe que hoje o computador é um bem de consumo que vai se tornar pessoal, a exemplo do celular. Se o consumidor não sabe ao certo o que fazer, ele vai comprar gato por lebre. E disso o mercado está cheio.

O consumidor vai comprar um produto de boa qualidade seguindo estas orientações?

Ele vai minimizar o risco. Certeza de 100% só conhecendo a empresa onde ele vai comprar. Se tiver experiência, boas indicações e seguir estas recomendações, a possibilidade de fazer um bom negócio é muito maior.

O consumidor também deve priorizar a aparência do produto?

A estética é um dos parâmetros de avaliação do consumidor. Entendo que a aparência é importante sim. Têm várias opções de equipamentos no mercado que oferecem designer sofisticado, futuristas, e isso é importante do ponto de vista da arquitetura, da estética. Agora, ele deve estar muito atento principalmente com o que está dentro do equipamento, com relação à questão da configuração dos produtos, da capacidade, e se aquele produto, mesmo tendo uma estética muito boa, vai atender à sua necessidade. De nada adianta ter um produto muito bonito na sua sala ou na residência e não funcionar da forma adequada.

A necessidade varia de acordo com a circunstância e a atividade de cada um?

Exato. Neste caso, antes de adquirir o equipamento, é preciso fazer uma avaliação da real necessidade e, com base nisso, informar a empresa onde vai comprar. E quando o consumidor consegue identificar a sua necessidade, mas é leigo do ponto de vista técnico, a gente recomenda comprar de uma empresa que tenha instalações físicas, que ele tenha um contato direto com o vendedor. Em um site você não vai conseguir esclarecer algumas dúvidas. E uma vez levantada essa necessidade, cabe à empresa que está vendendo, indicar um equipamento que atenda essas necessidades. É muito comum aparecer algum cliente que quer o melhor equipamento, mas nem sempre é necessário o melhor. Em outros casos, o cliente quer comprar uma máquina muito barata para rodar aplicativos muito pesados. O que a gente costuma dizer é que performance e desempenho com preço baixo não combinam.

E o prazo de validade dos computadores está sendo reduzido?

Há redução sim. E isso era considerado um ponto negativo em um primeiro momento. Há alguns anos, o equipamento durava muito tempo e hoje, em dois anos, o equipamento está obsoleto. Mas aqui tem um ponto positivo, tem uma vantagem: está se tornando obsoleto porque as tecnologias avançam em uma velocidade muito alta. Isto está relacionado à necessidade de novos benefícios por parte do consumidor. O tempo de pesquisa e desenvolvimento há cinco anos era um; hoje são destinados investimentos altíssimos para a área de pesquisa e desenvolvimento justamente para buscar inovações. Por isso, os equipamentos se tornam mais obsoleto em menos tempo.

O consumidor precisa trocar de equipamento se resolver aumentar sua capacidade?

Hoje, se você adquirir um computador com 1G de memória, a placa mãe, que é a plataforma, já vem preparada para a expansão de 2G ou 4G em alguns modelos. Então é possível aumentar a memória sem necessariamente precisaR trocar o equipamento. O HD, que é onde você armazena os dados, não é possível adicionar e sim trocar por um HD maior. E o processador, em alguns casos, também estão preparados para aceitar produtos com maior velocidade. Não há necessidade de troca quando o computador está lento, mas isto deve ser avaliado caso a caso.

A diferença de preços é o principal motivo para a proliferação de produtos piratas no Brasil. Enquanto um CD ou DVD original pode custar até R$ 30,00, em média, um similar pirata custa R$ 2,00 ou R$ 3,00. Mas se engana quem pensa que só existem CDs e DVDs piratas no mercado. A pirataria tem um forte esquema também no setor de informática, em especial na área de software.

Nesta segunda parte  sobre os cuidados na compra de computadores, o Adalberto classifica a pirataria no Brasil como uma ”questão cultural”. Segundo ele, o problema se tornou um círculo vicioso: as pessoas não compram os produtos originais porque são caros, e estes produtos permanecem caros exatamente porque o comércio é pequeno.Para Adalberto, esta realidade só mudará a partir do momento em que as pessoas se conscientizarem dos efeitos nocivos da pirataria.

  Como os produtos pirateados prejudicam a sociedade?

  A pirataria hoje é prejudicial para toda a sociedade. Ela tem um efeito devastador na indústria e no comércio. Se não houvesse pirataria, os preços poderiam ser um pouco menores. Têm muitas empresas que investem para combater a pirataria e isto acaba refletindo no custo dos produtos originais. Existem vários movimentos de combate à pirataria, dentre eles podemos destacar a ABES (Associação Brasileira de Empresas de Software), que vem fazendo um trabalho muito interessante. A pirataria está desvastadora mesmo é no setor de software. É muito comum hoje o cliente adquirir um produto e instalar um software pirata. Isso é crime.

E o que deve ser feito para combater a pirataria?

O consumidor precisa se conscientizar, cada vez mais, da importância de trabalhar com produto original. A pirataria acaba, de certa forma, ferindo os direitos autorais de quem fabricou, no caso a Microsoft. E existe todo aquele questionamento: ninguém compra porque é caro, mas é caro porque ninguém compra. Então, a sociedade como um todo precisa se conscientizar, cada um fazer a sua parte. É muito importante que o consumidor esteja consciente com relação ao combate à pirataria.

Por que a pirataria está acontecendo em tão larga escala?

O aumento da está relacionado também à acessibilidade da tecnologia. Como os produtos se tornaram cada vez mais baratos, consequentemente atingiram algumas classes que no passado não tinham condições de adquirir os equipamentos e em função do aumento do volume de produtos no mercado, aumentou também a pirataria. Ela também está relacionada à questão cultural. O Brasil é um dos países que tem o maior índice de pirataria do mundo. Mas é importante a sociedade se conscientizar que isso precisa ser mudado em prol da nossa evolução e da nossa cultura. E não é só isso: existem muitas empresas do setor que incentivam a pirataria. Às vezes, você encontra empresas que vendem produto e já instalam produtos piratas. Isso também é muito comum.

A gente percebe que há pessoas esclarecidas, que trabalham com informática há algum tempo e que também utilizam produtos pirateados…

Ocorre também. São pessoas que até têm consciência, pessoas que têm conhecimento que isso é um ato criminoso, ilícito, mas ainda por uma questão cultural, e muitas vezes as alegações são de que os custos do produto original são muito altos, acabam consumindo um produto pirata. Mas a gente percebe, entretanto, que isto está mudando. As pessoas tentam se conscientizar, as Ongs voltadas ao combate da pirataria estão trabalhando muito forte e já com alguma evolução. No caso de software, de maneira geral, as pessoas estão se conscientizando, cada vez mais, com relação aos problemas causados pelos produtos piratas. Mas ainda o volume é grande, a estatística é alta, e o Brasil precisa avançar muito neste sentido.

A diferença de preço entre o produto pirata e o original é muito grande?

É grande. E este é um dos motivos que estimula bastante o consumidor a comprar o produto pirata.

Seria, talvez, a mesma proporção dos CDs e DVDs piratas?

Talvez a proporção seja um pouco menor, mas a diferença é grande. Mas não é só isso: o consumidor também tem que ficar atento. Quando ele compra o produto pirata sabendo que é pirata, quer dizer, é a consciência dele. O problema é quando a empresa vende produto pirata e não informa isso ao consumidor.

Notebook recondicionado é vendido como novo

O empresário Plácido Roberto Carmagnani afirma que não é só a pirataria que está prejudicando o comércio no setor de informática atualmente. Ele alerta que o consumidor deve ficar atento também na hora de comprar um notebook, que hoje representa cerca de 70% das vendas de computadores. O problema é que existem empresas vendendo equipamentos recondicionados como se fossem novos.

  Na realidade, o que está acontecendo com o comércio de notebooks?

Hoje, o notebook está dominando o mercado. É uma tendência que as pessoas tenham computadores pessoais portáteis. Tudo isso em função da mobilidade. Mas o consumidor deve ficar atento porque existem muitos modelos recondicionados no mercado e que são comercializados por muitas empresas como se fossem novos. É comum ver no mercado alguns modelos com marcas muito conhecidas, famosas, mas com preço muito abaixo do preço de mercado. É dificil identificar esse produto porque por fora ele tem a carcaça do novo, mas por dentro é algum equipamento que já passou por algum conserto, alguma revisão e na verdade esse equipamento não poderia ser vendido como novo.

Quais os problemas com os notebooks recondicionados?

O problema não é vender o produto recondicionado, é legal. Você pode vender desde que informe, desde que oriente o cliente, falar que o produto é recondicionado, que a garantia do fabricante é menor. Porém, o que acontece é que o pessoal está vendendo o produto recondicionado, mas não está informando o consumidor. E quais são as conseqüências disso? No primeiro ano de garantia, a estatística mostra que o índice de problemas é muito baixo, mas no segundo no terceiro ou no quarto ano, os problemas são desencadeados. E o consumidor vai sofrer com isso.

E o que o consumidor deve fazer neste caso?

É muito difícil identificar o aparelho recondicionado, mas o consumidor deve buscar referências de onde está comprando. Existem empresas sérias, que têm credibilidade, que têm solidez no mercado e que não trabalham com notebooks recondicionados. E existem empresas que estão há pouco tempo no mercado, empresas aventureiras e sites não conhecidos que trabalham com notebooks recondicionados. O consumidor tem que ficar muito atento porque os problemas virão à tona.

Ou seja, não é tão fácil assim comprar um computador hoje?

Do ponto de vista da aquisição, sim; mas do ponto de vista de identificar se você realmente está fazendo uma boa aquisição, o consumidor tem que ficar atento a algumas questões. Justamente para não comprar gato por lebre. Isto está acontecendo muito no mercado.

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